Genealogia da Freguesia de São José dos Angicos (Angicos, Afonso Bezerra, Pedro Avelino, Fernando Pedroza, Lajes, Jardim de Angicos, Pedra Preta, Caiçara do Rio do Vento e outros)
Das pesquisas que realizei para escrever o livro Além do Jardins - História e Genealogia de Jardim de Angicos - RN cataloguei quase 1.400 casamentos realizados nas fazendas e sítios da freguesia de São José dos Angicos, com matriz na cidade de Angicos - RN. Em publicações diárias, disponilizarei estes casamentos, organizandos por local e apresentado com personagens. No livro citado, com mais de 390 páginas e quase 200 fotos, encontre maiores informações. EM BREVE!
Antes de iniciar a nossa exposição, apresento uma pessoa muito especial para mim. Não o conhecia, mas posso afirmar que ele é muito espicial. Treça-feira (09/06/2009) em uma viagem que fiz a cidade de Lajes, tive o prazer de conhecer Celestino Ferreira Pires, 99 anos, morador na cidade de Riachuelo - RN, desde 1942. Estava ele ao lado de seu filho Orlando Ferreira Pires (olhando pela janela).
Celestino Ferreira Pires, 99 anos, foto do autor em 09/06/09
Nasceu em 09 de abril de 1910, em Bananeiras - PB, filho de Sabino Ferreira Pires, de Várzea de Bois, comunidade entre Lajes e Pedra Preta, e Josefa Brasilina Dantas, de Parelhas - RN. Aposentado desde 1965, Selestino Pires foi tropeiro, possuia 05 jumentos que prestava serviços que variava desde carrego de barro para cosntruir açudes, material de construção, algodão e até sal da região de Macau. Segundo ele, foi uma única vez pegar sal e a viagem transcorreu-se em 20 dias. É neto de Manoel Ferreira Pires e Josefa Maria da Conceição, que em meados do século XIX possuiam terras em Várzea dos Bois e Caiçara do Rio do Vento. Em minhas pesquisas encontro informaçoes desta família vindo de São Gonçalo - RN, em Vicente Ferreira Pires que na década 1850 já estavam se casando filhos seus nesta freguesia, formando vasta ramificação pela região. Na atualidade vamos encontrar seus descendentes em Angicos, em Alberto Pires; Hélio e Fátima Pires, no Piauí; Luiz Eduardo, em Jardim de Angicos; João Maria Pires, em Caiçara do Rio dos Ventos...
Escrito por João Evangelista Romão às 16h12
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Povoamento do Sertão do Ceará - Mirim (João Câmara, Bento Fernandes, Jardim de Angicos, Caiçara do Rio do Vento, Pedra Preta, Lajes e adjacências)

Cabugi, visto do município Bodó - RN
Em fins do século XVII, quando os índios Cariri, também chamados de Tapuia, foram derrotados, se inicia a povoação do interior do Rio Grande do Norte. A área sertaneja do Ceará - Mirim (rio) foi um dos principais ponto estratégico para a ocupação da região central. Os colonizadores tiveram os primeiros contatos naquelas imediações por volta de 1666, quando o governador da Paraíba, João Fernandes Vieira, requer dez léguas de terra em quadra, do Taipu acima pelo rio Ceará - Mirim. Em 1682, os irmãos Paulo e José Coelho de Souza, moradores em Pernambuco, pedem as terras nas imediações do Cabugi correndo para o lado do rio Salgado. Nem um dos três conseguiram fixar posse na região. Na primeira década de 1700 é que firmam-se as posses definitivas de terras. Os relatos em Cartas de Sesmaria (Carta: documento da doação de terra; Sesmaria: lotes de terra, mais conhecida como Data de terra) do Sertão do Ceará - Mirim informa que, já por volta de 1700, o Coronel Antonio da Rocha Bezerra possuía uma Caiçara (curral para gado) a meia légua da barra do rio Cururu. O Cururu faz barra (deságua) no rio Ceará - Mirim, a menos de dois km da cidade de Jardim de Angicos, em terras da fazenda Primavera, hoje do Sr. Hercules Barbalho. Quase todas as Datas de terras doadas na região faz referência a barra do Cururu. O Coronel Antonio Bezerra é o primeiro posseiro que possuiu terras por ali. Ele é encontrado como peticionário de várias sesmarias pelo interior, como no rio Pataxó, em Angicos, Açu e Alexandria. Segue informações sobre os requerente e sesmarias do Sertão do Ceará - Mirim:
Jardim de Angicos Sesmaria Nº 85, de 10 de fevereiro de 1710, terras pelo rio Ceará - Mirim, concedida a Francisco Rodrigues Coelho e a Maurício Brochado Ribeiro. Estas terras começavam onde terminavam as terras do irmão de Francisco, Manoel Rodrigues Coelho, a légua e meia de Taipu e até a barra do Cururu. os irmãos Coelho fixaram-se, mais tarde, em territórios hoje de Cachoeira do Sapo e Caiçara do Rio do Vento, pelo rio do Vento, Olho D’água da Gameleira e a serra de mesmo nome; Sesmaria Nº 87, de 05 de fevereiro de 1710, pelo rio Cururu, começando na barra deste rio, concedida ao Ajudante Bento Fernandes de Almeida e ao Alferes Antonio Martins do Vale; Sesmaria Nº 116, de 22 de fevereiro de 1712, concedida a Estevam Velho de Melo, terras que pertencera ao Coronel Antonio da Rocha Bezerra. Pelo enunciado na Carta de Sesmaria nota-se que as terras corriam pelo rio Ceará - Mirim, acima da barra do Cururu, chegando as proximidades do Umari da Sobra, em Jardim de Angicos. É naquele documento que há a afirmação que Antonio Bezerra possuía ali uma Caiçara; Sesmaria Nº 134, de 09 de agosto de 1716, requerida pelo reverendo padre Antonio Amado e Manoel Lopes Homem, da Companhia de Jesus. Naquele documento de doação das terras existe uma informação de que alí fora requerida antes pelas irmãs Rosa Maria e Paula Pereira, as mesma requerida pelo ajudante Bento Fernandes e o alferes Antonio Martins. Estes padres fixaram-se com gado acima da Baixa da Inês, Zé de Araújo e Malacacheta, sesmaria que ficou conhecida pelo nome de Malacacheta da Companhia de Jesus; 
Lagoa do Cadeado, na Data do Cardoso, Jardim de Angicos - RN
Sesmaria da Maniçoba, de 1724, requerida por Manoel Gomes da Silveira, terras começando num poço no Umari da Sombra, no rio Ceará - Mirim acima, pela Pedra do Navio até a serra que deu nome a sesmaria. Essa área, hoje terras do Umari, da Pedra do Navio, da Fazenda Nova e do Salgadinho era conhecida à época como Sertão das Maniçobas; Sesmaria do Cardoso, de 23 de dezembro de 1739, recebida pelo Tenente Antonio Cardoso Batalha, terras que corria acima e a norte da Data da Malacacheta da Companhia de Jesus, abrangendo hoje a fazenda Logradouro, Cardoso, Nova Descoberta, Serrinha de Baixo e de Cima, Catolé e adjacências. As terras que acompanhavam pelos rios, neste caso Ceará - Mirim e Cururu, foram logo povoadas na primeira metade do século XVIII. Pelos riachos afluentes destes rios, vamos encontrar ocupação definitiva só na outra metade daquele século e em poucos casos, depois.  Casa de Pedra do Cadeado, na Data do Cardoso, Jardim de Angicos - RN
João Câmara e Bento Fernandes
No litoral as Datas de terras eram medidas em quadra e no interior em largura, isso para concentrar as águas das lagoas naquele e neste os leitos dos rios. Medidas em léguas (uma légua= 6600 metros ou 6,6 km) a sesmaria podia chegar até três léguas de comprido, meia para cada lado dos rios ou ruachos, ou légua e meia em quadra, estas com objetivos de enquadrar as lagoas e terras fertes. Terras como as dos municípios João Câmara e Bento Fernandes foram requeridas e povoadas (com gado solto) em fins do século XVIII e início do seguinte, por causa da escacez de água nessas áreas. Depois das Datas do rio Ceará - Mirim, a de 1709, dos irmãos Rodrigues Coelho e Maurício Brochado Ribeiro, são dois os requerimentos mais significativos nestes municípios: uma em 1793, hoje no território de Bento Fernandes, e outra em 1814, no de João Câmara. Em 19 de julho de 1793, Manoel Muniz de Bragança e Salvador de Araújo Correia requerm uma sesmaria que limitava-se nas divisas da Data da Boágua, em sua meia légua sul, correndo para os lados do distrito de Belo Horizonte e Serra da Cruz, hoje território de Bento Fernandes. Naquele documento encontra-se informações sobre o Sítio Cururu, então pertencente ao Capitão Antonio José Santos, do Sítio Boágua, etão do Capitão Manoel Soares, com quem as terras avizinhava-se, pegando sobras a nascente do Tanque do Felix, hoje área divisório dos municípios Bento Fernandes, Caiçara do Rio do Vento e Jardim de Angicos. Como já informado, as terras que do leito do rio Ceará - Mirim até meia légua e légua e meia para Taipu, em 1709, fora requeridaspor Manoel Rodrigues Coelho. As que corriam para cima, pegando da testada de Manoel Coelho, nas primeiras décadas de 1700, pertenciam a Francisco Rodrigues Coelho, irmão de Manoel, e Maurício Brochado Ribeiro. Era a conhecida por Data da Boágua. 
Próximo ao assentamento Canadá, Bento Fernandes - RN, foto de Sonia Furtado.
As terras mais ao norte do rio Ceará - Mirim, hoje a norte e a leste da cidade de João Câmara, lá por volta de 1800 pertenceram a José Viera de Melo, morador em Touros. Estas terras serviam para criação de gado, solto. Jacinto Lopes dos Reis, em 1814, genro de José Viera de Melo, requer e recebe as terras fazendo pião na Serra do Torreão, légua e meia para o leste, e as que sobravam das de seu sogro.
Foto de Luiz Carlos Guilherme, tirada de cima do Torreão, área leste da Data de Jacinto Lopes dos Reis, ao fundo vista da cidade de João Câmara.
Caiçara do Rio do Vento e Pedra Preta
O território municipal de Caiçara do Rio do Vento teve suas terras requeridas quase ao mesmo tempo das de Jardim de Angicos, tanto pela facilidade de acesso através do rio Cururu, quanto resultante da ocupação sertaneja do rio Potengi. Mas, o seu povoamento se deu primeiramente por extensão dos requerimentos dos rios Ceará - Mirim e Cururu. Observa-se que os Rodrigues Coelho fixaram-se nesta região, terras adquiridas posteriormente pela família Pinheiro Teixeira e outras. Em 23 de agosto de 1734, Manoel Pinheiro Teixeira, Maria da Conecição de Oliveira e Bernardo Pinheiro Teixeira, já eram possuidores das terras do rio do Vento, limitando-se ao norte com os providos do rio Cururu e Ceará - Mirim, e ao sul com terras da ribeira do Potengi, do Sargento-mor Antonio Rodrigues Santiago, que corria desde a Serra do Pica-pau. Juntos possuiam aproximadamente nove léguas de terra. Parte delas foi herdada de José Pinheiro Teixeira que as havia arrematado na decada de 1720. Em 1749, Manoel Pinheiro era o proprietário da maioria das terras ali, como também no Riacho do Sapo, hoje Cachoeira do Sapo, terras compradas ao Capitão Manoel Rodrigues Coelho e Inês Barbosa, sua esposa, que foram morar no Ceará; Olho D´água da Gameleira e Rio do Vento. Mais para o oeste, indo até o Cabugi, as terras pertenciam a José Luiz de Souza, requeridas em 1735, antes , em 1709, pedidas por seu pai Sebastião de Souza.

Foto de Tárcio Araújo
Nas divisas hoje com Jardim de Angicos, acima do Rio Quintimproá-choyó, o qual conhecido hoje como Bela Vista, em 1764, pertenciam ao ajudante Pedro Pereira de Azevedo e ao capitão João Alves Maciel, sobra de terras que foi consedida ao Capitão-mor Baltazar da Rocha Bezerra, então petencente a Theodósio da Rocha Bezerra. No Boqueirão, alí vizinho, em 1794, as terras pertenciam a José Luiz Pereira. Ao oeste, pegando as terras da Serra do Bom Fim, em 1793, Francisco da Costa de Vasconcelos, Manoel Machado de Azevedo e Pedro Coutinho de Matos possuiam vasta área daquelas terras. 
Pedra da Vela, fazenda São José do Seridó, Pedra Preta, terras na Data dos Tanques
Pedra Preta, pela escassez de água, teve o seu povoaamento um pouco mais atrasado. Mas, já em 1736, Rodrigues Alves Correia já possuia a Data da Pedra Preta, limitando-se ao norte com o Coronel Lourenço de Araújo. Nas divisas de Jardim de Angicos várias outras áreas foram requeridas, como a Data dos Tanques (próximo a Ramada e Baixa do Angico), em 1785, por José Teixeira da Silva; Luis Teixeira do Nascimento e José Gonçalves de Souza, em 1768, possuiam as terras que sobravam da Data da Maniçoba, a oeste de Fazenda Nova, em Jardim de Angicos. Lajes Em 23 de outubro de 1709, Sebastião de Souza e Francisca de Souza, sua filha, requeriam terras entre o Cabugi e o rio Cururu. A mesma área foi confirmada em 1735, em nome José Luis de Souza, filho de Sebastião. Começavam pegando num riacho que corre entre dois serrotes por trás do Cabugi, para o nascente, com três leguas de terras. As demais sesmarias da região faziam parte dos prolongamentos das já citadas próximos dali, principalmente das que percorriam pelos rios Ceará - Mirim, do Vento e do atual Bela Vista. Em 1792, Antonio Rodrigues da Silveira possuia uma vasta área ao norte da cidade Lajes, pela estrada que vinha do Açu para Ceará-Mirim, acima da Data da Maniçoba, esta já de vário possuidores, e a Data dos Tanques, ao norte, de José Teixeira da Silva, compreendendo hoje terra das fazendas Alívio, Picos Pretos para norte e oeste.

Foto de Tárcio Araújo, Serra do Feiticeiro, em Lajes.
Veja maiores informações em Além dos Jardins, de João Evangelista Romão. Com 392 páginas e 192 fotos , este livro dispõe sobre as terras e a genealogia de toda essa região. Fonte: Livro Além do Jardins - História e Genealogia de Jardim de Angicos - RN
Escrito por João Evangelista Romão às 09h03
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